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A humanidade enfrenta diversos desafios. Como animais, andamos pela terra. Como portadores da essência divina, vivemos entre as estrelas. Como seres humanos, estamos presos nesse intermédio, tentando conciliar o paradoxo de trilhar nosso caminho na terra enquanto buscamos algo mais permanente e profundo.
Muitos procuram essa Verdade maior no céu, mas ela está bem mais próxima que as nuvens. Reside dentro de nós e pode ser encontrada por qualquer um que se aventure na jornada interior.
As pessoas geralmente querem as mesmas coisas. A maioria deseja simplesmente saúde física e mental, compreensão e sabedoria, paz e liberdade. Os meios que utilizamos para atender a essas necessidades básicas muitas vezes se rompem nas costuras, à medida que somos puxados de um lado para o outro pelas diferentes, e geralmente conflitantes, demandas da vida humana.
A finalidade do yoga, assim compreenderam seus sábios, é satisfazer todas as necessidades humanas num todo abrangente e inconsútil. Seu objetivo é nada menos que alcançar a integridade da unidade – unidade conosco e, conseqüentemente, com tudo que está além de nós. Assim nos tornamos o microcosmo harmonioso no macrocosmo universal. A unidade, ou integração, é o alicerce da totalidade, da paz interior e da liberdade suprema.
Para um iogue, liberdade significa não ser atingido pelas dualidades da vida, por seus altos e baixos, seus prazeres e sofrimentos. Significa a equanimidade e, fundamentalmente, a descoberta de que existe, em cada pessoa, um núcleo interno sereno, sempre em contato com o infinito eterno e imutável.
Qualquer pessoa pode embarcar na jornada interior. Assim como as plantas buscam a luz do sol, a vida busca a plenitude. O universo não criou a vida na expectativa de que o fracasso da maioria servisse de patamar para o sucesso de poucos. O yoga não pretende ser uma religião ou um dogma para cultura nenhuma. Pretende-se um caminho universal, uma via aberta a todas as pessoas, a despeito de sua origem e formação. Somos todos seres humanos, mas fomos ensinados a pensar que somos ocidentais ou orientais. Não fosse isso, seríamos simplesmente indivíduos humanos – não africanos, indianos, europeus ou americanos.
B.K.S Iyengar - Luz na vida
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